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Sou Psicólogo corporal, Acupunturista Somático e Facilitador de grupos. Nesse site você vai saber mais sobre meu trabalho, percurso profissional, as técnicas que utilizo em meus atendimentos e vários textos informativos dentro da área de saúde, bem estar e arte.

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O contato improvisação - Dança em direção à vida

Bruno Cuiabano

É a dança única que surge do diálogo entre dois corpos ou mais, através de um vocabulário sensorial composto de toque, peso e contrapeso. Lida com elementos chaves que favorecem o movimento visando à improvisação consciente na relação entre corpos. As quedas e sustentações favorecem ao corpo o conhecimento sobre seus limites, seus espaços, suas superfícies, suas alavancas, pontos de apoio e flexibilidade. Também possibilita a descoberta de outros ritmos, entre lentidões e velocidades. é potencialmente uma ferramenta de autoconhecimento e uma prática pioneira também na quebra de paradigmas de gênero, já que tanto o homem quanto a mulher podem liderar o movimento.O contato improvisação favorece o cuidado, a escuta e a observação das relações por meio da observação, da atenção e aceitação do outro e de si. Movimentos mais livres e justos através de um caminhar juntos que é também um jogo de perguntas e respostas.

É necessário que os participantes estejam concentrados tanto no ambiente quanto dentro de seus corpos buscando um estado de presença, que na arte e na terapia é visto como um estado pleno em que as afetações e percepções ficam mais ampliadas. 

O contato improvisação trabalha aspectos profundos do ser na medida em que amplia a relação de limites e possibilidades entre os corpos. É importante lidar com incertezas para agir na hora certa e esperar quando for preciso. Elaborar pontos de consciência que proporcionam uma relação rica com o outro. Os movimentos que surgem lidam com a inércia, o desequilíbrio e o inesperado. O que acontece de comum no “palco” e na vida.

Clínica da composição

Bruno Cuiabano

De acordo com Gilles Deleuze e Félix Guattari a lógica da verticalidade remete a filiação e a dureza, a produção do mesmo, já a lógica da horizontalidade remete a aliança, aos fluxos não hierarquizados e a produção da diferença.

Félix Guattari em 1964 propõe o termo transversalidade que acaba por ser um movimento de fluxos e vetores comunicacionais que produzem atravessamentos constantes do vertical e do horizontal.  Esse processo de transversalidade se dá nos fluxos de subjetivação que perpassam as relações institucionais e que abrem campos de análise e intervenção na arte, na clínica e na política.

Dessa forma, é possível problematizar os limites e possibilidades entre saberes dentro de um setting clínico. Ele define esse termo a partir da quantidade de comunicação em uma instituição. O objetivo para ele é chegar ao máximo de conectividade, ou máximo de comunicação entre vários planos Rompendo com a racionalidade e as lógicas representativas.  Formando uma lógica rizomática.

Rizoma é um conceito Deleuziano que nos coloca em contato com a proliferação e coexistência de lógicas e realidades. Coloca-nos em contato com a multiplicidade sem ordem hierárquica, espacial ou cronológica. A ideia de raiz ou árvore é oposta a ideia de rizoma ou pelo menos se torna mais um dos platôs existentes que interagem com essa lógica.

“Qualquer ponto de um rizoma pode ser conectado a qualquer outro e deve sê-lo. É muito diferente da árvore ou da raiz que fixam um ponto, uma ordem”. (DELEUZE, G.; GUATTARI, F. Mil Platôs, v.1. op.cit., 2004, p.14)

"É impossível exterminar as formigas, porque elas formam um rizoma animal do qual a maior parte pode ser destruída sem que ele deixe de se reconstruir. Todo rizoma compreende linhas de segmentaridade segundo as quais ele é estratificado, territorializado, organizado, significado, atribuído, etc; mas compreende também linhas de desterritorialização pelas quais ele foge sem parar.” (DELEUZE, G.; GUATTARI, F. Mil Platôs, v.1. op.cit., 2004, p.17).

Aliando esses recursos e ferramentas vamos delineando uma clínica da composição e da improvisação através da desconstrução da concepção cotidiana do corpo. Esta desconstrução passa pelo desequilíbrio e descontrole de sentidos e sensações que percorrem a lógica das cores, tonalidades, formas, durações.

Procuramos produzir assim novas formações subjetivas que se traduzem em novos agenciamentos. Linhas e fluxos ininterruptos e intensivos que se colocam abertos a infindáveis reinvenções, reativando a vida em sua potência criadora. Tudo se transforma em matéria-prima de um processo de criação, a própria existência.

O que é o devir em Bergson e Deleuze

Bruno Cuiabano

O devir é um conceito que exemplifica e dinamiza a realidade em sua constante transformação. Um devir não se estanca, ele sempre flui sempre sendo original e novo, nunca se fixa e se endurece. O devir pode e deve ser qualificado como algo que continuamente se forma e se deforma concomitantemente. Estabilidade sempre passageira e provisória, comportando sempre processos de desterritorialização que em outro momento podem se reterritorializar novamente em alguma representação, mas não igual a anterior.

Por ocorrer através de presentificações, atualizações de múltiplas subjetivações, mutações, os devires não formam uma identidade. na verdade eles dissolvem os processos de personificação e de representação de algo. Sempre levam a um evento de estranheza e de potencia criadora. Podemos dizer que são processos de individuação impessoal, ou modos de subjetivação produzidos num momento único.

O devir animal ou anômalo não passa por representar um animal ou uma irregularidade, não se trata de imitar, de trazer a tona imagens padronizadas e gestos estereotipados . A realidade do devir transmuta o corpo das coisas. São corpos que se movem em intensa relação com o seu fora, com a animalidade e o anômalo ¹, na coexistências de “durações” muito diferentes, todas comunicantes.    

“um devir não é uma correspondência de relações. Mas tampouco é ele uma semelhança, uma imitação e, em última instância, uma identificação” (DELEUZE, G.; GUATTARI, F. Mil Platôs, v.2. op.cit., 2004, p.18).

[1] Característica do que é desigual ou de irregularidade de um corpo, um produto, uma matéria. Conforme Deleuze e Guattari, a palavra “anômalo” tinha uma origem muito diferente de ‘anormal. Qualifica aquilo que não tem ou contradiz a regra, a “a-nomalia”, substantivo grego que perdeu o seu adjetivo, designa o que é desigual, rugoso, áspero. Enquanto o anormal só poderia se definir em função de características específicas ou genéricas.